A chuva batia com grosseria
janela do quarto da garota, fazendo com que Melissa parasse de escrever e
reclamasse daquele barulho irritante, mesmo tocando uma musica calma ao fundo,
ela não conseguia se concentrar no que estava fazendo. Ela então esticou sua
mão pegando seu fone que estava do lado de sua cama e plugando no seu celular -
Bem melhor assim. - Cochichou a garota colocando seus fones e pegando novamente
seu caderno, voltando a focar no que estava fazendo. A chuva normalmente
deixava a garota relaxada, só que desta vez, estava deixando ela mais irritada
ainda.
A garota cantava, como se a
musica estivesse entrando pelos seus ouvidos e formando uma grande historia na
sua cabeça. - These
wounds won't seem to heal, this pain is too real. There's just too much
that time cannot erase. – Fechando seus olhos, Melissa solta seu caderno, colocam suas
duas mãos no rosto e cantando mais alto ainda. - When
you cried, I'd wipe away all of your tears, when you'd scream, I'd fight away
all of your fears and I held your hand through all of these years but you still
have all of me. – Para e respira fundo, tentando conter as lagrimas que ameaçavam à escorrer pelo seu rosto. A garota então
tira suas mãos do rosto e pega o porta retrato dos seus pais do lado da sua
cama. – Mas que droga! Por que tenho que me lembrar de vocês sempre quando eu
escuto essa musica? Eu só queria escutar uma musica em paz, sem ter nada nos
meus olhos. – Melissa então joga seu caderno no chão e faz um barulho;
– Eu tô cansada de pesquisar coisas de vocês e
não ter respostas para nada. Tô cansada
de querer entender e provar para mim mesma que meus tios estão mentindo. – E então
ela é interrompida pela sua tia, que subiu correndo as escadas achando que
havia acontecido alguma coisa;
– O que houve Melissa? O
que aconteceu – Diz Betty ofegante.
– Nada, acabei deixando
cair meu caderno. – A garota então coloca seu porta retrato na sua estante de
novo e se abaixa para pegar seu caderno deixando cair um recorte do suposto
acidente dos seus pais.
– O que você está fazendo
Melissa. – Betty então se abaixa e pega o recorte de papel. – O que você está
fazendo com isso, Melissa? Eu já não disse para esquecer essa historia. –
Melissa então a interrompe.
– Isso não é nada titia, é
só um recorte velho de quando o acidente aconteceu, mais nada.
– Mais nada? Mais nada? – Ela aumenta a voz. – Você sabe
que já falamos sobre isso, eu e seu tio já te explicamos o que aconteceu, agora
para de tentar achar alguma coisa que não existe.
– Se não existe, por que eu
escuto sermão cada vez que eu pergunto sobre meus pais? – Melissa então puxa a
foto da mão de Betty. – Por que todas as vezes que eu toco no assunto vocês
ficam tensos? Sim, eu acho que você e o titio estão me escondendo algo, porque
se não estivessem, vocês não ficaram tão nervosos com tudo isso. – Ela então vira as costas, colocando sua foto
dentro do caderno e o guardando dentro da gaveta.
– Você já parou para que
possamos ficar desconfortáveis com esse assunto, pois ela era minha irmã? –
Betty caminha ate a porta do quarto. – Você realmente acha que escondemos algo
de você, Melissa?
– Desculpe tia, mas eu acho.
– Pois bem, não vamos mais
interferir na sua – Ela levanta as mãos e faz um sinal de aspas com os dedos. –
Investigação. Só não se decepcione com o que pode descobrir. – Betty então sai
do quarto.
Com raiva, Melissa coloca
rapidamente seu All Star preto e pega seu sobretudo preto que ficava pendurado ao
lado do seu espelho. Ao sair do quarto,
ela para entre a porta e o corredor, em seguida olha para trás e vai ate o
porta retrato dos seus pais pegando ele novamente, passando alguns segundos
olhando para eles e lembrando do dia que essa foto foi tirada. O sol brilhava
no parque, os três rindo sincronizadamente naquela foto, era como se fosse a hora boa
antes da morte, mal sabia ela que algumas horas depois, seus pais iam estar
mortos. Sem conter a primeira lágrima
muitas outras vieram – Por que isso tinha que ter acontecido? – Melissa então
abaixa a cabeça, apertando contra o peito e o deixando em sua mesinha de novo.
Ela então abre a porta do seu quarto e caminha calmamente ate a sala, tomando
cuidado para que seus tios não percebessem que ela estava saindo de casa e
então caminha ate a saída, pegando sua bolça que estava pendurada perto da
porta, e sai em silencio.
A chuva já tinha passado,
só o frio tomava conta da noite, a garota então coloca seu sobretudo e fecha
seus botões colocando em seguida a bolça sobre o ombro, em seguida afunda suas
mãos no bolso, tentando se aquecer e se encolhendo quando aquela brisa gelada
tocava seu rosto. Melissa caminha em direção ao parque que costumava ir com
seus pais quando criança.
Melissa procurava ficar
longe de tudo e de todos, com aquela discussão ela só queria ficar sozinha, lembrar-se
das coisas felizes e também, voltar a pesquisar o que realmente tinha
acontecido com os seus pais.
Ao caminhar, ela sentiu seu
celular tocando, então ela tira sua mão do bolso e coloca na bolça tentando
achar seu celular, era Betty, querendo saber onde ela estava, mas Melissa a
ignora guardando novamente em sua bolça, mas poucos minutos depois, ele vibra
novamente e era Betty de novo, só que dessa vez era apenas uma mensagem. – Mas que
merda! – Melissa sussurra e então tira novamente seu celular da bolça.
A mensagem dizia. – Melissa, onde você está? Todos nós estamos preocupados
com você. Você tem agido de um jeito completamente diferente. Por favor, volte
para casa, você está nos assustando. – E para acalmar sua tia, ela responde. – Eu estou
bem, titia, só me deixa sozinha um pouco, tá bom. – Ela então desliga seu
celular e retoma seu caminho mais rápido.
Chegando ao parque ela vai
em direção ao banco onde ela ficava com seus pais, esse banco ficava em baixo
de uma arvore gigante e isolada de todos os outros. Ela sentou cruzando suas
pernas e abriu sua bolça, tirando um bloco de papel e uma caneta e em seguida,
levantou sua manga para ver seu relógio que marcava 20:55. Melissa olhou para o
céu tentando encontrar a lua, mas não havia mais nada além de nuvens escuras,
então fechou seus olhos e respirou bem fundo voltando a olhar para o caderno
apoiado em sua coxa. – Bom, vamos descobrir toda a verdade. – Sussurrou a
garota voltando a escrever.
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