sábado, 18 de outubro de 2014

A Solidão.



A chuva batia com grosseria janela do quarto da garota, fazendo com que Melissa parasse de escrever e reclamasse daquele barulho irritante, mesmo tocando uma musica calma ao fundo, ela não conseguia se concentrar no que estava fazendo. Ela então esticou sua mão pegando seu fone que estava do lado de sua cama e plugando no seu celular - Bem melhor assim. - Cochichou a garota colocando seus fones e pegando novamente seu caderno, voltando a focar no que estava fazendo. A chuva normalmente deixava a garota relaxada, só que desta vez, estava deixando ela mais irritada ainda.

A garota cantava, como se a musica estivesse entrando pelos seus ouvidos e formando uma grande historia na sua cabeça.  These wounds won't seem to heal, this pain is too real. There's just too much that time cannot erase. – Fechando seus olhos, Melissa solta seu caderno, colocam suas duas mãos no rosto e cantando mais alto ainda.  - When you cried, I'd wipe away all of your tears, when you'd scream, I'd fight away all of your fears and I held your hand through all of these years but you still have all of me. – Para e respira fundo, tentando conter as lagrimas que ameaçavam à escorrer pelo seu rosto.  A garota então tira suas mãos do rosto e pega o porta retrato dos seus pais do lado da sua cama. – Mas que droga! Por que tenho que me lembrar de vocês sempre quando eu escuto essa musica? Eu só queria escutar uma musica em paz, sem ter nada nos meus olhos. – Melissa então joga seu caderno no chão e faz um barulho;

 – Eu tô cansada de pesquisar coisas de vocês e não ter respostas para nada.  Tô cansada de querer entender e provar para mim mesma que meus tios estão mentindo. – E então ela é interrompida pela sua tia, que subiu correndo as escadas achando que havia acontecido alguma coisa;

– O que houve Melissa? O que aconteceu – Diz Betty ofegante.

– Nada, acabei deixando cair meu caderno. – A garota então coloca seu porta retrato na sua estante de novo e se abaixa para pegar seu caderno deixando cair um recorte do suposto acidente dos seus pais.

– O que você está fazendo Melissa. – Betty então se abaixa e pega o recorte de papel. – O que você está fazendo com isso, Melissa? Eu já não disse para esquecer essa historia. – Melissa então a interrompe.

– Isso não é nada titia, é só um recorte velho de quando o acidente aconteceu, mais nada.

– Mais nada? Mais nada? – Ela aumenta a voz. – Você sabe que já falamos sobre isso, eu e seu tio já te explicamos o que aconteceu, agora para de tentar achar alguma coisa que não existe.

– Se não existe, por que eu escuto sermão cada vez que eu pergunto sobre meus pais? – Melissa então puxa a foto da mão de Betty. – Por que todas as vezes que eu toco no assunto vocês ficam tensos? Sim, eu acho que você e o titio estão me escondendo algo, porque se não estivessem, vocês não ficaram tão nervosos com tudo isso.  – Ela então vira as costas, colocando sua foto dentro do caderno e o guardando dentro da gaveta.

– Você já parou para que possamos ficar desconfortáveis com esse assunto, pois ela era minha irmã? – Betty caminha ate a porta do quarto. – Você realmente acha que escondemos algo de você, Melissa?

– Desculpe tia, mas eu acho.

– Pois bem, não vamos mais interferir na sua – Ela levanta as mãos e faz um sinal de aspas com os dedos. – Investigação. Só não se decepcione com o que pode descobrir. – Betty então sai do quarto.

Com raiva, Melissa coloca rapidamente seu All Star preto e pega seu sobretudo preto que ficava pendurado ao lado do seu espelho.  Ao sair do quarto, ela para entre a porta e o corredor, em seguida olha para trás e vai ate o porta retrato dos seus pais pegando ele novamente, passando alguns segundos olhando para eles e lembrando do dia que essa foto foi tirada. O sol brilhava no parque, os três rindo sincronizadamente  naquela foto, era como se fosse a hora boa antes da morte, mal sabia ela que algumas horas depois, seus pais iam estar mortos.  Sem conter a primeira lágrima muitas outras vieram – Por que isso tinha que ter acontecido? – Melissa então abaixa a cabeça, apertando contra o peito e o deixando em sua mesinha de novo. Ela então abre a porta do seu quarto e caminha calmamente ate a sala, tomando cuidado para que seus tios não percebessem que ela estava saindo de casa e então caminha ate a saída, pegando sua bolça que estava pendurada perto da porta, e sai em silencio.

A chuva já tinha passado, só o frio tomava conta da noite, a garota então coloca seu sobretudo e fecha seus botões colocando em seguida a bolça sobre o ombro, em seguida afunda suas mãos no bolso, tentando se aquecer e se encolhendo quando aquela brisa gelada tocava seu rosto. Melissa caminha em direção ao parque que costumava ir com seus pais quando criança.

Melissa procurava ficar longe de tudo e de todos, com aquela discussão ela só queria ficar sozinha, lembrar-se das coisas felizes e também, voltar a pesquisar o que realmente tinha acontecido com os seus pais. 

Ao caminhar, ela sentiu seu celular tocando, então ela tira sua mão do bolso e coloca na bolça tentando achar seu celular, era Betty, querendo saber onde ela estava, mas Melissa a ignora guardando novamente em sua bolça, mas poucos minutos depois, ele vibra novamente e era Betty de novo, só que dessa vez era apenas uma mensagem.  – Mas que merda! – Melissa sussurra e então tira novamente seu celular da bolça.

A mensagem dizia. – Melissa, onde você está? Todos nós estamos preocupados com você. Você tem agido de um jeito completamente diferente. Por favor, volte para casa, você está nos assustando.  – E para acalmar sua tia, ela responde. – Eu estou bem, titia, só me deixa sozinha um pouco, tá bom. – Ela então desliga seu celular e retoma seu caminho mais rápido.  
Chegando ao parque ela vai em direção ao banco onde ela ficava com seus pais, esse banco ficava em baixo de uma arvore gigante e isolada de todos os outros. Ela sentou cruzando suas pernas e abriu sua bolça, tirando um bloco de papel e uma caneta e em seguida, levantou sua manga para ver seu relógio que marcava 20:55. Melissa olhou para o céu tentando encontrar a lua, mas não havia mais nada além de nuvens escuras, então fechou seus olhos e respirou bem fundo voltando a olhar para o caderno apoiado em sua coxa. – Bom, vamos descobrir toda a verdade. – Sussurrou a garota voltando a escrever. 

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