Melissa não conseguia entender, porque quanto ela mais escrevia mais ela percebia que quase nada que seus tios falavam fazia sentido, tudo vinha como um flash, porem, tudo aquilo que ela lembrava, não batia com que seus tios tinham contado para ela.
A garota então coloca a ponta da caneta sobre seus lábios e balança a cabeça negativamente voltando a olhar para seu caderno e aproximando sua caneta do bloco de notas novamente. – Nada faz sentido – Cochicha Melissa. – Havia um homem lá, sim, talvez eu estivesse meio atordoada por conta da pancada, mas eu vi. – A garota então começa a desenha o que se lembrava para ligar as coisas, mas algo acabou a fazendo perder a concentração. Era um homem de sobretudo preto parado a poucos metros dela, ele usava um capuz e a observava sem dizer uma palavra. Ela tenta o enxergar, mas está tudo tão escuro que fica difícil, então espreme seus olhos para ver se melhora, mas não consegue então se levanta e pergunta;
– É... Posso ajudar? – Colocando seu bloco de notas e sua caneta sobre o banco, levantando-se e se afastando um pouco.
– Na verdade não – Melissa escuta aquela voz fria e rouca, gelando ainda mais de medo – Só estava olhando. – E então o homem misterioso dá uns paços se aproximando ela.
– Isso eu já consegui perceber, agora me diz, o que você quer e é melhor ficar onde está.
– Não vou te fazer mal.– Diz ele se aproximando ainda mais.
– Eu disse para você não se aproximar, você não me escutou? – A garota então passa por cima do banco pegando seu bloco de notas e sua caneta, tentando se afastar do homem.
– Eu escutei, mas estou te ignorando. Por que está assustada? Já disse que não vou te machucar, só quero conversar e ver o quão brava você é – O homem encapuzado então dá uma pausa. - MELISSA. – Ela então consegue ver seu sorriso por baixo do capuz e tenta se afastar ainda mais. – Vamos ver se você é parecida com sua mãe. – Ele então se aproxima ainda mais rápido da garota.
– Como você sabe meu nome, seu maníaco? – Melissa começa a andar mais rápido ainda. – Socorro! – Grita. - Meus tios te contrataram para você me espionar? – Melissa tenta se afastar ainda mais dele. – Fala logo seu bastardo de merda, ou então eu grito.
– Grita, pode gritar, ninguém vai te escutar, você escolheu o pior banco para ridícula pesquisa que você está fazendo, o mais isolado e o principal, você escolheu a pior hora para vir a um parque, você é realmente muito burra, garota. – Ele então dá uma risada irônica. – Você realmente não sabe quem eu sou? Seus tios não falaram nada sobre mim? Sinto-me usado agora – Ele ri novamente e é interrompido.
– O que você sabe sobre minha família? O que você quer de mim? – Grita a garota com sua voz estremecida de tanto medo.
- Você realmente não sabe quem foram os monstros que te colocaram no mudo? Pobre garota – Ele então dá mais uns paços. – Aposto que não faz ideia das suas origens, nem as pessoas que te cercam e nem o mal que seus pais carregavam em seus corações ate parar de pulsar. – A cada palavra o garoto chegava ainda mais perto de Melissa.
- Cale a boca e se afasta de mim. – Seus olhos começavam a se encher de lagrimas. – Socorro!!!! Socorro! – E a cada grito, ela perdia suas esperanças de encontrar alguém aquele horário no parque. – Quem é ele? Como ele sabe sobre mim e sobre minha família? Quem é esse babaca? Por que eu não corro? – A garota pensava.
- Por que você não corre? Bla bla bla. Isso mesmo que eu estava pensando – O garoto então dá uma risada irônica. – Sabe por que você não corre garota? Porque você é do tipo de pessoa que quer pagar para ver. Você quer saber como eu sei tudo isso, você quer ter resposta, não importa se a pessoa é um estranho, você quer ver o que ela sabe. – Ele então dá uma pausa e levanta sua cabeça olhando para ela. - Você é muito idiota Melissa.
A garota então indignada pelas palavras que saída da boca do garoto, dá a volta pelo banco e vai em direção a ele.
- Quem você pensa que é para invadir minha vida desse jeito e a bagunçar como se tudo que você falasse fizesse algum sentido? Você não sabe de nada, você é o único monstro que eu vejo aqui. Você não sabe de nada, seu babaca. – A garota então perece o erro que cometeu, logo em seguida, ela tenta recuar, mas já é tarde demais, ele pega no seu braço - Me solta, agora!! Socorro!!! Socorro!! Alguém me ajuda! – Melissa grita, mas ninguém escuta. – Me solta, seu maluco! – Ela se debate tentando se soltar dele, mas ele tinha uma força incrivelmente estranha para o tamanho dele.
- Eu disse que não te machucaria, mas ninguém me falou que você era tão abusada, metida a macho.
Melissa então puxa o capuz do garoto.
- Qual é a sua, garoto? – A garota então olha para o menino que aparentava ter seus 18 anos. Ele tinha pele clara e seus olhos eram azuis como um mar cristalino. Seu cabelo era liso e tinha uma bela boca. – Eu estou sendo amedrontada por um pirralho, - puff. – Agora me solta
- Você está insistindo a alguns minutos já, você não percebeu ainda que eu não vou te soltar e você vai para onde eu quiser e garota, eu sou bem mais velho que você – Ele então a puxa que se nega a ir. – Vamos você tem um encontro.
- Me solta, eu não vou a lugar nenhum. – Melissa então se debatia, mas parecia que não fazia efeito.
- Você pode ficar quieta? Assim fica difícil de andar, garota. – O garoto a puxava, mas ela resistia. – Melissa para! – Ele então a puxa e fica cara a cara com ela. – Se você não parar eu vou te matar.
- Eu só vou ficar quieta quando você me soltar! – Melissa então o empurra, mas a puxa de novo. – Cara! O que você que? Dinheiro? Diz quanto. – Sua voz estava fraca e tremula.
- Garota, se liga, se fosse um sequestro você não acha que eu já estaria apontando uma arma para a sua cabeça e não estaríamos batendo esse papinho? – Ele então ri. – Ou, ou, ou, melhor, não teria um carro esperando a gente? Não queremos seu dinheiro garotinha besta. – Ele então olha dentro dos olhos negros da garota. – Você é arrogante feito seu pais. – Melissa então o interrompe gritando. – Não fale do meu pai, seu monstro. – Mas ele volta a falar. – Se você cooperar, vamos nos dar bem.
- Eu não quero me dar bem, na verdade, eu quero que você vá para o inferno e queime lá. – Melissa se debate. – Me deixa em paz.
O garoto então mesmo segurando ela, coloca sua mão no queixo da garota e a faz olhar fixamente para ele.
- Meu amorzinho, eu acabei de voltar de lá. – Ele então ri e a puxa em direção à saída do parque. – Fica quieta garota, eu não quero te machucar, mas se for preciso eu vou.
- Você disse que não ia me machucar.
- Eu disse, tem razão, mas sabe de uma coisa Melissa, eu sou um ótimo mentiroso e posso falar que você se machucou sem querer. Como seus pais quando morreram em um grave acidente de carro, mas claro, foi sem querer. – Melissa então para imediatamente de se debater e volta a olhar para ele com seus olhos cheios de lagrimas.
- Você matou meus pais?
O garoto dava risada da reação de Melissa.
- É tão engraçado ver essa sua cara de choro e essa sua fraqueza. É obvio que eu não os matei, mas por mim eu teria matado e me sentiria muito bem por isso, mas infelizmente não. – Ele aproveita a fraqueza dela e a pega no colo, lavando para um carro preto que estava estacionado do outro lado da rua. Mas a garota se debatia
- ME SOLTA!!! SOCORRO – Mas como não havia ninguém na rua, os gritos foram em vão.
Coloca a garota no banco de trás do carro e da à volta, sentando-se do lado dela.
- Sabe a parte do carro que eu disse Melissa? Então, eu menti. – Ele então olha para Melissa sorrindo e dá dois tapinhas nas costas do motorista. – Vamos, nossa convidada já está pronta para partir.
Melissa estava desesperada, batia no vidro e tentava abrir a porta do carro, mas nada adiantava, pois o carro tinha uma blindagem forte.
- Para onde estamos indo?? Me solta, por favor, me solta – As lagrimas que ameaçavam escorrer pelo rosto da garota antes finalmente escorreu. – Eu não quero morrer, eu não quero morrer.
- Oh pobre garota, você não vai morrer, se acalme. – Ele então aproxima sua mão do rosto da garota para limpar suas lagrimas, mas ela recua se encolhendo no canto do carro e repetindo – Não quero morrer, não posso morrer.
O garoto então abre um sorriso aparentando estar satisfeito.