terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Apresentação.


Melissa não podia fazer nada, ela pensou em abrir a porta do carro e pular, mas ela estava trancada. Afinal o que aquelas pessoas queriam com ela? O que por que precisavam dela.

- O que vocês querem? – Pergunta a garota ainda olhando para o vidro do carro, mas ninguém responde.

O único barulho era da chuva que voltava a cair e batia no vidro. Ela começou a lembrar de quando estava no seu quarto, com o seu caderno, deitada em sua cama e ouvido sua musica preferia, ela se perguntava o porquê de tudo aquilo. – Será que eu irei voltar viva? – Pensa. – Será que meus tios vão perceber meu sumiço? Claro que vão e vão ficar preocupados e aflitos. – Melissa começa a bater no vidro do carro. – Meu deus, imagine se eu nunca mais voltar.

- Me solta! – Grita a garota – Me solta agora, eu preciso ir para casa! Eu – Dá uma pausa. – Eu não posso morrer. – Melissa então volta a chorar.

- Olha Jason, ela sabe falar mais de quatro palavras. – O garoto ironiza. – Bom, vamos ver se ela sabe falar algo além de “ajuda”, “me solte” e bla bla bla – Diz imitando a voz da garota. – Eu já sei seu nome, mas você ainda não sabe o meu. – Ele olha para a garota que ainda olhava para fora do carro e ela o interrompe.

- Não me interessa seu nome.

- Olha, não me interessa o seu também, mas tenho que sabe, pois passaremos um tempo juntos.

- Não me diga. – Diz em um tom sarcástico.

- Ual! Já sei que teremos problemas com você, olha Melissa, eu não estou nem ai para você, nem o que você acha. Só estou fazendo o que me mandam. Eu – Ela o interrompe novamente.

- Então você é um cachorro treinado por um chefe? Bom saber, só pedir um biscoito depois.

- Bla bla bla, só isso que eu escuto da sua boca. Para mim, você é uma criança chorona. Enfim, eu também não te suporto e olha que não estamos nem 2 horas juntos. – Ele volta a olhar para a Melissa e chega mais perto dela.

- Qual é seu problema? – Melissa olha para ele. – Me deixa em paz, você estragou tudo, você chegou e já bagunçou minha vi – O garoto então bota a mão na boca da menina a tampando.

- Você fala muito, garota. – Ele a solta. – Meu nome é Lucca Longatto. – Então se afasta.

- Foda-se você, Longatto. – Sorri.

- Além de criança, é mal educada, acho que seus pais não te educaram muito bem. – Lucca para de falar por um instante e volta sorrindo. – Ops, verdade, você não tem pais.

Em um pulo Melissa começa a bater no garoto, mas não acontecia nada, só a risada dele tomava conta do carro. Era algo horrível.

- Quem você pensa que é, seu estupido. – Batia com toda a força.

- Você é uma figura – O garoto então consegue pegar os dois braços da garota e a fazer encostar na porta. – Só que tem uma coisa que você não sabe, garotinha. – Lucca então se aproxima do rosto da garota. – Eu sou um monstro e infelizmente, você será minha parceira.

- Nunca te ajudaria. – Melissa estava acuada, fazia força para se soltar, mas nada tinha efeito.

- Pode ter que vai. – Ele então a solta e volta a se sentar, enquanto a menina ficava encostada na porta.

- Seu tom irônico me enoja, seu imbecil. – Ela se ajeita e ele ri.

- Chegamos. – Responde com uma voz assustadora.

- Onde estamos? – Melissa senta no banco do meio para poder ver.

- Bem vinda a minha casa, senhorita Lambert. – Ele sorri e olha para a garota. – Você ira conhecer o rei, o Lord. Aquele que dará ordens para você também.

- Quero só ver. – Ela olha para Lucca e sorri de volta.

- Coopera, pelo menos uma vez e você não vai se machucar. Você quer saber quem você é? – Melissa balança a cabeça positivamente. – Então não fode, me deixa trabalhar, nos deixe trabalhar e trabalhe junto com a gente. – Ele olha para os fundos dos olhos da garota. – Eu também não gosto de você, mas não é atoa que eu sei tanto sobre você. – Ele então da uma piscadinha.

O carro já estava estacionado e quando a garota foi descer Lucca pegou em seu braço e a virou para ele.

- Como eu disse Melissa, não fode.

- Eu já entendi, mas que fique claro, eu não confio em você. – O garoto então a solta.

- Ninguém aqui está falando de confiança, meu anjo das trevas. – Ele então sorri e solta uma gargalhada.

Mal sabia a garota que seu destino estava preste a mudar.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

20h42



Sinto alguém pegando no meu braço e falando meu nome. 

- Melissa? É você mesmo? Já que você está com essa mascara é tão difícil de reconhecer os outros. – Ele dá uma pausa enquanto eu me viro. - Ual, quem diria você em um baile da escola.

- Angel? Quanto tempo – Digo sem graça. – O que faz por aqui?

- Bom, Lisa, é um baile. – Ele ri e parece desconcertado.

- Pois é. – Respondo balançando a cabeça positivamente, tentando acabar com o assunto.

- Bom, quer um Ponche? Estou indo lá pegar.

- Não Angel está bem, obrigada. – Sorri.

- Ok... Então, nos vemos outra hora. – Sai andando, colocando a mão na cabeça.

Nossa, ele cresceu e aquele terno barato o deixa ainda mais charmoso. – Parei de olhar para ele andando ate a mesa desarrumada onde ficavam os petiscos e as bebidas, e abaixei a cabeça. - Que besteira, por que eu estou pensando nisso de novo? Ele me traiu, aquele palhaço despedaçou meu coração e agora vem com suas piadas e me oferecendo ponche. – Pensei e fui me sentar. Voltei a olhar para ele e em um momento eu o vi olhando para mim também, foi constrangedor.


21h38

As musicas lentas estavam me dando sono e minha noite não estava sendo uma das melhores, o Alex tinha furado comigo, eu tinha encontrado meu ex, estava sentada sozinha em uma mesa quanto todos os outros dançavam e meu copo estava vazio. Cogitei em ir pegar mais ponche batizado, mas Angel estava em uma mesa próxima dali, então queria evitar qualquer contato visual. Quase todos estavam dançando e isso era tão estranho, as únicas pessoas sentadas era eu, uma garota que estava com o vestido cheio de vomito e o Angel.

Olhei novamente para ele e ele não estava mais na cadeira, virei a cabeça procurando ele, vai que ele estava dançando com outra garota, não que eu ficasse brava, nem um pouco, é que... Eu só queria ter certeza que ela era melhor do que eu. Mas para a minha sorte não, ele não estava na pista, ele estava na mesa de ponche enchendo dois copos, talvez para ele e para a garota com o vomito no vestido. – Parei de pensar por um momento e arregalei os olhos. – Quem eu estou tentando enganar? Pelos deuses, ele está vindo para cá. – Abaixei a cabeça e coloquei a mão na testa.

- Não queria falar nada, mas você é a menina mais linda da festa.

- Você está bêbado? – Respondi levantando a cabeça.

- Estou com cara de bêbado? – Sorriu.

- Não. – Respondi e voltei a olhar para as minhas pernas. – Se não está bêbado o que você quer?

No momento que eu terminei de falar, a musica deixou de tocar e de imediato, outra entrou no seu lugar, e ironicamente era a musica que estava tocando quando eu e Angel ficamos pela primeira vez.

- Hora perfeita. – Sussurro.

- Com certeza, hora perfeita – Angel retruca. – Me concede esta dança, Lady Lisa. – Ele se curva na minha frente e estende sua mão.

Eu odiava aquele apelido, mas saindo da boca dele, soava tão carinhoso. – É serio? Não, obrigada.

- Vamos Lisa, vai ser legal. – Ele pega meus braços e me levanta, me levando ate a pista de dança.

- Tudo bem, aqui estou. – Digo colocando minhas mãos no ombro dele e as dele na minha cintura.

Sem dizer uma palavra ele me encara com seu sorriso lindo no rosto.

- O que você quer Angel? Por que voltou?

- Eu não quero nada, Melissa. Só passar um tempo com você e apreciar o quanto você é linda. – Seu toque em minhas bochechas as fez rosadas na hora. Aquela pegada em meus quadris me fizeram bambalear umas duas vezes. Aqueles olhos azuis me hipnotizaram como da primeira vez.

- Você não vai ganhar nada com isso, Angel. - Olho para ele e balanço a cabeça negativamente.

- Eu já ganhei meu amor. – Ele sorri e se aproxima dos meus lábios. – Ganhei uma dança com você. – E me beija.

Meu corpo amoleceu na hora, era como se eu estivesse segurando algo pesado e quando seus lábios tocaram os meus esse peso tivesse saído de mim. Não sei o que Angel tem, mas eu estou ligada a ele de uma forma que eu não gostaria de estar.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Olá.

Oi, tomei um certo cuidado de não começar esse texto te chamando de algum daqueles apelidos que eu costumava te chamar antes. Antes do que mesmo? Antes do fim, isso. É meio difícil reconhecer que é passado, principalmente depois de ter te encontrado naquela mesma balada no sábado passado. Naquela mesma balada, lembra? Onde ficamos pela segunda vez, você não deve se lembrar disso, mas eu lembro. Você estava lá, naquela mesma balada, com as mesmas roupas de roqueiro do século passado que você costuma usar e com o mesmo sorriso debochado e escancarado no rosto. Nada mudou, ou melhor, tudo mudou, só eu que não me dei conta disso(ainda). Você estava lá, no mesmo lugar onde costumávamos estar juntos, mas você não estava comigo. um, dois, três… pelo menos foram esses que meus olhos conseguiram avistar você “pegando”, e não, eu não estou falando de copos de bebidas, estou falando de pessoas. Você estava ali, na minha frente aos beijos com outras pessoas. e aquilo doeu, doeu de uma forma que eu achei que não pudesse mais doer. Fui para o outro lado da festa, você estava lá. Rodei todos os ambientes e você parecia estar por todos os lados. Fui embora e mesmo assim você ainda estava lá, no meu pensamento, fodendo com o restinho de amor-próprio que eu pensei ter. Fui dormir e, BANG, você caiu de paraquedas nos meus sonhos. Eu achei que já tivesse me libertado das correntes que me prendiam à você, eu sinceramente achei que você já não fosse tão importante assim. Eu achei que já tivesse superado o quase-amor que nós tivemos um dia. Eu achei que o castelo de areia que tínhamos construído juntos já tivesse sido derrubado, mas não, ele continua lá, e eu continuo dentro dele, só que rei supremo abandonou o castelo, foi atrás de novos contos, de novos corpos, mas eu continuo lá. Eu fiquei, e vou ficando, esperando você voltar. Sabe aquele restinho de doce de goiaba que fica no fundo do pote, e a gente insiste em achar que consegue tirar com a ponta da colher? Bem, o que eu sinto é mais ou menos parecido com isso. Você é o restinho do doce de goiaba que ficou no fundo do pote do nosso relacionamento, e ainda insisto em achar que consigo pegar com a pontinha da colher e me deliciar por mais alguns segundos com o seu gosto, mas não, eu não posso me contentar com migalhas, certo? Eu não quero te beijar depois de você ter ficado com metade da festa, eu não quero te ver me olhando assim, desse jeito… você sabe como. eu não quero. Você se contenta com metades, você se contenta com relacionamentos jogados ao vento, você se contenta com beijos de dois minutos e depois pular para outra boca, mas eu não, eu sou o inteiro, eu sou boa demais para essa sua carcaça de moleque, eu sou líquido demais para a sua garrafa pet de 1 litro e meio e eu mereço mais do que uma pessoa como você. Eu quero ter um relacionamento inteiro, eu quero alguém do meu lado para o que der, e vier, eu quero alguém me mandando mensagens de “bom dia” às 06h00 da manhã e de “boa tarde, andei pensando em nós” às 15h30 de uma quinta-feira no meio do horário de trabalho, só porque sentiu saudades. eu adoraria que esse alguém fosse você, mas não, eu, você e metade do planeta Terra sabemos que você não sabe ser esse alguém, e eu não tenho estrutura emocional para te ensinar a ser. Antigamente eu terminaria esse texto te pedindo para voltar, mas não, não quero que você volte. Vai doer te apagar definitivamente das minhas memórias e abandonar nosso castelo, vai doer como já doeu antes, e quando deixar de doer em mim, vai doer em você, e vai passar como acabou passando em mim. Um dia eu ainda vou te encontrar naquela mesma balada aos beijos com outras pessoas, e eu não vou sentir nada e quando esse dia chegar, eu vou poder te olhar dentro dos olhos e não sentir mais um arrepio subir pelo meu corpo, então, meu amor, por favor, não volte. Eu não te quero de volta.